Não faças suposições

Não Faças Suposições

Um grupo de caçadores está bem embrenhado na selva, à caça do alimento para a tribo. Subitamente o caçador que ia à cabeça do grupo reparou que houve um movimento por detrás de uns arbustos. Nesse momento, mandou toda a comitiva parar. Durante a sua juventude, sentava-se à volta da fogueira com a sua tribo, e ouviam os mais velhos contar as aventuras e perigos que as suas caçadas produziam. Ele estava certo que atrás daquele arbusto estaria um predador. Mas, tirando o movimento do arbusto, nada mais apontava para ser um predador. Não sentiu qualquer odor diferente no ar, nem nenhum ruído estranho. Certamente que deveria ser o vento que estava a favor do predador, e tanto o odor como os ruídos foram encaminhados noutra direcção. Nesse momento a sua mente estava totalmente focada nesse local e em todas as experiências passadas, dele como de terceiros. À distância que ele se encontrava do arbusto, era certo o que deveria fazer – mandar o resto da comitiva fugir. Mesmo sabendo que provavelmente ele não iria conseguir fugir, essa seria a decisão certa. Para sobrevivência do grupo, ele iria morrer. Sim, estava decidido. Mas, e se fosse mais do que um predador? Então todo o grupo poderia parecer. O pânico estava instalado dentro de si, quando, de dentro do arbusto, sai um bando de pássaros que tinham escolhido esse local para fazer o seu ninho.

Esta pequena rábula exemplifica um sequestro emocional, tal como Daniel Goleman definiu nos anos 90.

O caçador ao se deparar com o possível stressor começou a fazer suposições e a criar expectativas do que iria acontecer. Passou de estar num momento tranquilo e feliz para, na sua cabeça, a sua vida estar terminada. A sua mente não parou de criar a estória e afinal, até toda a comitiva tinha os minutos contados.

Se aceitarmos tudo o que a nossa mente nos diz, então estamos a aceitar que essas suposições sejam a verdade absoluta do Mundo que nos envolve. Mas, as suposições podem ser ainda mais perigosas.

Cada um de nós, durante o processo de socialização vai adquirindo conhecimentos, saboreando experiências e gerando crenças. Isso permite-nos desenhar um mapa da realidade. Mas, apesar do território ser o mesmo, cada um de nós tem o seu mapa. Isto quer dizer que cada um de nós tem uma visão da realidade diferente da dos demais.

Se, criarmos a suposição, o pressuposto de que o nosso mapa é o território, estamos a preparar para que o resto do Mundo esteja errado. O confronto é inevitável. A derrota também. E por conseguinte, a infelicidade imperará.

Nos dias de hoje, dificilmente terás um tigre escondido numa moita para te devorar. Portanto questiona, mantém o sentido crítico, mas de forma construtiva, sem criar pressupostos, sem assumir, sem permitir que a mente invente estórias.

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