Dá Sempre o Teu Melhor

Dá Sempre o Teu Melhor

Uma criança quando nasce traz consigo todo o potencial do Mundo.

A criança vem equipada com o seu lado Luz e o seu lado Sombra, o seu Yang e o seu Yin.

Tudo lhe é possível, tudo lhe é alcançável, tudo lhe é permito. Arrisco mesmo a dizer que nasce com um propósito muito próprio, e que a dualidade entre o Yang e Yin está estipulado de acordo com essa missão maior.

Mas cedo os pais começam a notar as suas características do lado Sombra e começam a achar que a criança vem incompleta, e a precisar de conserto. Então começa o processo de socialização. Nesta fase, espera-se que ainda seja suave, intervalado com bastantes momentos de amor e ternura. Mas é um facto que se começa a moldar a criança para encaixar mais facilmente num perfil que a sociedade ditou. Obviamente já existem bloqueios em potência, principalmente fruto da palavra dos adultos. Se queres saber mais sobre o poder da tua palavra, vê o artigo que escrevi sobre o tema.

Chegamos ao momento em que o processo de socialização se torna mais abrupto, a entrada no ensino. A criança começa a aprender o que tem de fazer para ter sucesso, ou seja, o que precisa de fazer para ver os adultos à sua volta felizes. E começa a fugir da experimentação, da criatividade, das novas abordagens.

O que isto tem a ver com o titulo inicial deste artigo? Tudo!

A criança começa com 100% do seu potencial. Tudo está ao seu alcance. Ela irá experimentar e realizará determinadas acções. Essas acções, invariavelmente, trarão resultados. Dependendo do resultado várias coisas poderão acontecer.

Imagina o cenário, uma criança sobe a uma árvore. Decide saltar do ramo para o chão. E, acidentalmente, magoou-se no tornozelo. Se um adulto lhe disser “estás a ver, eu avisei-te que te ias aleijar. Tu nunca me ouves e bla bla bla bla…”. O que achas que se irá passar na sua cabeça? Ela não vai querer arriscar mais subir à árvore, não porque não seja capaz mas porque quer ter o melhor resultado possível, e esse resultado é ver o adulto feliz.

Isto quer dizer que desde tenra idade que vemos tolhido o nosso potencial, muito por forças externas que nos ajudam a criar crenças limitadoras. Felizmente, quando chegamos a adultos, passamos a ter na nossa mão a decisão de ouvir ou não as vozes que nos rodeiam.

I’ve missed more than 9,000 shots in my career. I’ve lost almost 300 games. Twenty-six times I’ve been trusted to take the game-winning shot and missed. I’ve failed over and over and over again in my life. And that is why I succeed.

Michael Jordan

O Michael Jordan foi a minha maior referência desportiva durante a minha juventude. Mas podemos imaginar um cenário mais contemporâneo.

Imagina que o Cristiano Ronaldo é chamado para marcar o derradeiro penalty da partida. Ele vai com o seu potencial no máximo. Posiciona a bola. Dá os seus mágicos 3 passos à retaguarda e um à esquerda. Avança para marcar eeeeee … falha o penalty.

Neste cenário, o Cristiano Ronaldo terá duas hipóteses:

Hipótese 1:
Acreditar que de facto é um mau marcador de penalties.
Se lhe calhar voltar a essa situação, não valerá tanta a pena de se aplicar a 100% porque ele já sabe que, sendo um mau marcador, a probabilidade de falhar é grande. Como não se aplica por completo, como não tem confiança em si, irá falhar novamente. Pode não ser logo na próxima iteração, mas certamente acontecerá. E quando isso ocorrer, irá reforçar a sua crença de ser um mau marcador de penalties. Esta hipótese, a cada tentativa falhada, só irá alimentar a sua crença limitadora.

Hipótese 2:
Acreditar que foi só um acontecimento isolado. Voltar ao treino no dia seguinte e praticar afincadamente para corrigir o que acha que tem de ser corrigido. Esta hipótese faz com se aplique sempre a 100%. Estará melhor preparado para a próxima eventualidade de ter de marcar um penalty. Estará sempre a alimentar uma crença potenciadora de que, a causa do falhanço é corrigível por si, porque foi ele a causa.

Esta abordagem é simples mas não é fácil. Passamos muitos anos a ser formatados para “não falhar”, para “agradar os outros”. Então, deixamos de arriscar. E pior, deixamos de dar o nosso melhor, colocamos as culpas em factores externos, queixamo-nos do efeito resultante da nossa acção. E na realidade, a causa sempre esteve na nossa mão, sempre dependeu de uma decisão pessoal, própria, interna.

Não te esqueças, dá sempre o teu melhor em qualquer coisa que faças. Sê o dono da causa!